SCCorp Smigg Comunicação Corporativa

Sua Empresa no Comando

Próximos Textos

  • Presenteísmo e Absenteísmo
  • Cafezinho Produtivo
  • A Inércia Construtiva

–> Dê sua sugestão: smiggcomcorp@gmail.com

 

30/07/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

A Força do Dízimo e a Fraqueza do Ideal

 

Fiéis das mais diversas vertentes religiosas, e diversas é o termo mais aproximado do eufemismo – e da ironia também – para destacar a quantidade absurda de novas denominações que surgem dia a dia, representam uma grande força nesta que é chamada a civilização da tecnologia. Uma força aqui vista sob duas óticas distintas, mas interligadas. Sabe-se que lamentavelmente o instinto individualista do animal homem ainda é encontrado na herança genética, vinda dos tempos em que o uso da força bruta era parâmetro para a questão da sobrevivência.

Por séculos após o cérebro mentecapto de milênios atrás ter percebido necessidade de viver em clãs, a natureza, com suas intempéries e situações de risco a todo instante, forjou a concepção da autodefesa fundamentada nas energias musculares do corpo humano. A convivência gerou ainda a noção de sentimentos associados ao bem-estar emocional: aconchego, proteção, familiaridade etc. E espírito de liderança. Assim, quanto mais forte o líder, maior o alcance da percepção social de seus atributos.

O cérebro aprende com exemplos encontrados no mundo exterior a si. Os muitos séculos nos primórdios da humanidade vividos sob impressão de que líder é superior criaram também a noção de individualismo, pois todos passaram a buscar ser líder. Posteriormente, de forma lenta e silenciosa, esse instinto foi se tatuando na personalidade do homem, geração após geração. Hoje, o homem ainda é tão dependente de líderes, de heróis, de exemplos que nem sequer se dá ao trabalho de usufruir de seu senso crítico para avaliar comportamentos. Basta que ouça eu sei ou eu faço para se entregar idealmente como uma criança despreparada.

Todo comportamento social tem prazo de validade. Isso é notório. Após milênios de dependência por parte dos clãs em relação aos que mais se destacavam, o cérebro voltou seus fundamentos percepcionais a deuses. Passou-se então da admiração físico-postural a oferendas. Nas sociedades anteriores à Era Cristã, ofertavam-se animais a deuses mitológicos. (Ainda hoje esse comportamento é observado em sociedades extremamente atrasadas.) Com o fortalecimento dos conceitos vanguardistas do homem Cristo – mas jamais assimilados a contento -, exauriu-se a ideia de oferendas, argutamente substituída pela ideia de dízimo.

E então chega-se à civilização atual.

Oferta-se financeiramente hoje muito mais que conceitualmente antes. No lugar do bem-estar emocional diante do forte homem das cavernas e da oferenda de sangue animal ou humano nos altares gregos, romanos, mesopotâmicos etc., hoje os cofres religiosos com senhas numéricas e aplicativos de tecnologia da informação são o instrumento de elo entre as necessidades psicológicas humanas e a ilusão de vê-las supridas. Faz-se isso hoje com tal leviandade que se veem exaltados seres tão normais quanto qualquer um dos mais normais do mortais, mas vendidos a peso de ouro. O ouro da dignidade social. (Desta forma, chora-se por jacksons, endeusam-se madonas, extasia-se por winehouses com tanta futilidade quanto fúteis são suas pretensas obras.)

Poucos e rápidos cálculos poderiam demonstrar claramente as duas arestas da força da fé, mas calcular infere raciocinar e parece que ambos os verbos representam tarefa por demais distante do universo dos que se entregam cegamente ao hábito da orgia religiosa.

A primeira aresta é conceitual. Considerando as muitas décadas de ação das vertentes protestantes – e tal ação por si vem num crescendo de progressão geométrica – (sem ainda se pensar no Catolicismo, que reinou absoluto por séculos seguidos), é surpreendente observar a safardes ética da sociedade mundial. O fluxo de proliferação das igrejas pentecostais no mundo todo – veja-se aqui um aparte para o lado cômico dessa proliferação: adoradores de Maradona, Bola de Neve, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’água, Florzinha de Deus etc. (clique e veja mais http://www.jabesmar.com.br/humor-saudavel/65-nomes-de-igrejas-curiosos-e-criativos.html) -, inclusive e especialmente na classe política, não permitiria haver tanta corrupção, tanta desconsideração para com o próximo, tanto desdém em relação à fome mundial, tanto distanciamento entre líderes e liderados. Ou seja, a quantidade de igreja e de seus fiéis já deveria ter feito com que a palavra de deus surtisse o efeito proclamado, pelo menos na maioria dos homens. Desde Lutero, a quantidade de igrejas inventadas no mundo necessariamente haveria de ser superior à força das imperfeições dos homens. Haveria de ser se houvesse o mínimo de idealismo na classe liderante.

A segunda aresta é financeira. Pensando-se em termos mundiais e considerando-se o fluxo financeiro na igreja católica em todos os séculos, considerando os bens materiais à disposição dessa instituição; considerando ainda o movimento de dinheiro em todos os templos neopentecostais; somando-se ainda tudo isso a aportes financeiros governamentais destinados a ONGs, instituições e programas sociais, somente um completo alienado não se perguntaria: ainda existe fome no mundo? Ainda existem corrupção, desmandos, melindres e falta de ética?

Esse estado da consciência atual da comunidade religiosa mundial talvez seja o que mais íntima e seriamente lembre um dos conceitos mais fortes do homem mais exaltado pelos líderes de hoje em suas palestras teatralizadas, sessões pré-concebidas e cultos esclarecedores. Disse aquele homem há dois mil anos sois cegos guiando cegos ao se referir ao relacionamento entre os autoinvestidos da ordem divina e seus fiéis. Coincidente, previsível e adequadamente, esta passagem bíblica é envolta por contumaz esquecimento nos encontros e discussões.

Dirão os embevecidos fiéis e espertos líderes: não se consegue melhorar o nível ético da humanidade porque o diabo está entre os homens. E alguns deles certamente irão mais longe: este próprio texto é inspirado pelo inimigo de deus, pois está execrando o ato de fé representado pela oferta do dízimo, quando todos sabemos que o dízimo foi instituído por Deus. E a estes os enceguecidos louvarão com hosanas, esquecendo-se de que, quando deus fez o mundo, não fez o dinheiro; que, quando a ideia de dízimo foi incorporada ao comportamento social humano, o inconsciente coletivo previa que fraternalmente se dispusesse de certa parcela do tempo de vida a deus e à comunidade, com atos de companheirismo, cordialidade e amizade.

Os muitos anúncios descarados de compra de helicópteros, fazendas, empresas por parte de líderes religiosos, de investimentos faraônicos em minisséries (Esther, Sansão e Dalila etc.) televisivas ou cinema e em companhias marítimas, acordos milionários com famílias vítimas de pedofilia etc. mostram os caminhos fáceis percorridos pelos dízimos; a hediondez humana prevista e vista no comportamento de líderes religiosos, a pequenez de postura no relacionamento humano mundial que deveria ser corrigida por esporádicas ações sociais e religiosas, a desfaçatez de princípios sentida na manipulação da fome no mundo etc. mostram os caminhos tortuosos percorridos pelos ideais.

Fortaleceu-se então o dízimo financeiro e fez-se recrudescer a força do ideal dizimista da fraternidade.

Há algo de podre no reino religioso.

13/01/2011 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

A Bactéria Controversa

 

Imagina-se uma montanha do tamanho de um prédio de quinhentos andares; imagina-se que um pássaro afie seu bico nessa montanha a cada quinhentos anos. Quando esta montanha não for maior que um grão de areia por causa da fricção do bico em sua rocha, ter-se-á passado um segundo da eternidade.”

(Lenda tibetana)

Paradigma

A agência espacial americana, a Nasa, levou ao mundo nesta semana uma notícia que certamente provocou comichões de surpresa nos escritores de ficção científica e comichões de alerta nas almas dos senhores líderes religiosos por este mesmo mundo afora. Estranhamente, tanto um grupo como outro tem o mesmo motivo para tais comichões: perda de suas fontes de inspiração.

Os cientistas do órgão americano extraíram um dos seis elementos químicos, o fósforo, que fundamentam o conceito de vida como esta era conhecida (até agora). Isto significa que a comunidade de pensadores biocientíficos não concebia a vida (até agora) sem esses elementos, argumentando que o processo vital não poderia existir em caso de ausência ou de oxigênio ou de hidrogênio ou de carbono ou nitrogênio ou enxofre ou de fósforo. Por curiosidade ou para provar suas teses, substituíram este último pelo elemento químico arsênio na composição de uma bactéria, elemento cuja presença é – ou era (até agora) – considerada letal para qualquer ser vivo na face da terra. Surpreendentemente, a bactéria se reproduziu facilmente nas águas do Lago Mono, Califórnia, e prosseguiu em sua busca por autoexistência. O nome temporário do ser vivo é GFAJ-1.

Ao longo da história, tem-se visto uma infinidade de contraposições da ciência em relação à religião e em relação a si mesma. Muitos estudiosos descobriram que seus colegas de décadas anteriores estavam enganados em relação a algum pensamento científico. É conhecida a história de Copérnico, de Galileu, de Home, de outros tantos que precisaram voltar atrás em relação a seus estudos sobre algum fundamento científico e enaltecer estudos de colegas que procuravam contradizer com provasNicolau Copérnico

Como via de regra ocorre com a maioria das descobertas de grande importância quando estas são postas a conhecer, a GFAJ-1 não significa muita coisa – sem trocadilho com a questão do tamanho microbiológico da coisa. Contudo, não é de todo improvável que esteja sendo vislumbrado agora – fins de 2010 – um prisma diferenciado do usado nos últimos milênios pelo qual se vê o fenômeno vida. Diferenciado tanto daqueles imaginados por ficcionistas quanto daqueles impostos por religiosos. Lubsang Rampa e Lutero que o digam em seus túmulos.

Até agora, a vida precisou de autorizações especiais para existir, que vinham ou de um ser absoluta e estranhamente superior ou de acasos esporádicos de personagens alienígenas de livros e cinemas. Em qualquer dos casos, a vida tem sido produto de idiossincrasias de seres distantes, incapazes de se fazer compreender por parte de suas criaturas, mas impostos como criadores certos por pura falta de opção, baseados em mistérios que não devem jamais ser perscrutados sob pena de ser iniciada catástrofe mundial em represália à curiosidade.

Até pouco mais de dois milênios atrás, as expectativas espirituais humanas eram dirigidas a diversos seres – Netuno, Zeus, Afrodite, Baco etc -, a depender das necessidades situacionais. Esse teoplurarismo ainda persiste, se se contarem as seitas africanas que se espalharam pelo mundo ou as hinduístas no oriente. De certa maneira, a vida dependia dos humores daqueles deuses e ainda é objeto de brincadeira dos deuses orientais atuais.

A partir da ficção, instituída na literatura depois de instaurado o conceito de monoteísmo na filosofia religiosa, os representantes dos infernos também passaram a ter poderes sobre a vida, exceto sobre a vida dos mocinhos e mocinhas das peças ficcionais.  Freddy Kreuger, Drácula, O Oitavo Passageiro, os estranhos e diferentes vilões de Stefhen King etc. ocupam espaço no pódio dos detentores do poder de vida e morte.Bactéria da Controvérsia: GFAJ-1

Até que Jesus, o Cristo, surgisse no cenário filosófico do mundo, o papel de criadores ou inimigos da vida era destinado aos deuses gregos, romanos, mesopotâmios etc., formato que resistiu até a era pós-Idade Média nas civilizações asteca, maia e inca do norte da América do Sul. Depois de Cristo, como a bondade absoluta era e é característica de Deus Absoluto, a sociedade precisou de um representante da fealdade absoluta e criou a ideia do rei do inferno, Lúcifer. Em que pesem questões políticas no tema – qual seja, expressão de poder sobre a massa mal-informada – esses dois opostos continuam servindo às glórias de poucos locados em altas esferas da hierarquia não oficial da humanidade.

Para complicar um tanto mais, por volta da Idade Média, o esoterismo ganhou espaço nas necessidades da vida. Então, não apenas deuses ou satanases tinham predominância sobre a vida, mas os elementos invisíveis também. Foi assim que a saúde passou a depender de cristais, o humor passou a depender de cores, os relacionamentos passaram a depender de magias, as cartas começaram a ditar futuros, as simpatias a redesenhar controvérsias. Aquela hierarquia não oficial da humanidade ganhou novos representantes.

Ou seja, ao longo de sua existência, a vida e seu extremo oposto, a morte, sempre dependeram de causas externas, de um produtor absoluto, de um ente a cuja bondade se pudesse impor todas as expectativas de felicidade ou a cuja maldade se pudesse fundamentar todas as tristezas das desilusões. Neste contexto, o homem, representante máximo da vida, nunca teve exatamente domínio sobre sua existência.

Antes de simples e futilmente pretender contradição a muitas filosofias criadas na história do mundo, a ciência busca fundamento para fenômenos observáveis e a intuitivos, igualmente. Essa guerra secular tem provocado brigas intestinas em instituições, cisões monstruosas em religiões, desamores em individualidades, desilusões em detentores da fé. Não obstante tudo isso, a pergunta mais eminentemente desconfortável, mais profundamente exposta, mais intimamente levantada permanece sem resposta: o que é vida?Lago Mono (Califórnia), o lago da Controvérsia

Ou permanecia. A bactéria da controvérsia é certamente o passo inicial da busca da possibilidade de que haja probabilidade de que talvez se consiga atingir o mínimo nível do máximo terreno da lógica na resposta. Ou seja, uma resposta plausível será obtida talvez em um milênio ou, com sorte, em alguns séculos. Até lá, o homem contemplará lenta alteração na maneira como entende a vida. E então, o paraíso poderá ser instaurado na Terra, pois já não haverá deuses para impor ao homem o comportamento que deveria ser intrínseco em seu dia a dia nem diabos para fazê-lo temer comportamento que há muito – desde que passou a observar o mundo exterior a si próprio – deveria estar extinto de seu dia a dia.

Isto é, homem viverá sem as muletas filosóficas que o trouxeram até esta civilização e passará a entender o futuro como produto único e exclusivo de suas próprias escolhas – escolhas conscientes, pois que estas escolhas serão motivo de análise única e exclusiva de sua consciência, não de seres ou conceitos desfundamentados de lógica. Ou, antes, fundamentos em ilógica.

Ao terminar este texto, uma observação provoca um comichão: até o momento, não se tem notícia de um dia a ciência ter sido contradita pela religião. Mas a História é repleta de pontos religiosos contrapostos pela ciência. Esta bactéria, queira-se ou não, representa a fusão dos dois conceitos, ainda que tal fusão se realize somente num futuro muito distante e, até então, surta mais brigas intestinas, mais cisões, mais desilusões.

A simples ideia de que a vida de insetos e pequenos animais não se origina do acúmulo temporário de lixo em um canto qualquer precisou de séculos para ser dissipada da comunidade “científica”, há alguns séculos – se bem que ainda há nichos atrasados na África que ache que somos criados das fezes de rato; a contra-argumentação à crítica ideia de que a Terra não era, e jamais fora, o centro do Universo extirpou a vida de muitos pensadores durante séculos antes de ser aceita como razoável. Certamente, a GFAJ-1 precisará de muito tempo para se desvencilhar da cadeia de reação dos que ainda imaginam que é possível manter a massa sob controle a partir da ignorância conceitual.

Mas já é um grande começo.

06/12/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

Márcia Cabrita: Apologia à Realidade

Uma das prerrogativas dos autores de livro de autoajuda e ministrantes de palestras motivacionais é passar a ideia de que o impossível é possível. Essa tarefa, em si e por si, já é impossível, mas os envolvidos no trabalho não desistem nunca.

Nem devem desistir. Afinal, por procedimentos tortos, acabam trabalhando certo.

Em que pesem conceitos psicológicos e sociológicos no assunto, convém olhar para o outro lado da moeda, aquele lado que mostra o direito de cada um ser como realmente é e a incapacidade de todos de viver fora de suas próprias fundamentações.

Convivo no mundo corporativo há muito tempo, anos bastantes para ter observado todos os lados da moeda, inclusive o terceiro. Tenho visto palestrantes motivacionais teatralizando suas performances de forma tal que, aos assistentes, tudo parece possível. A partir de então, você pode ser o dono do mundo – literalmente –; basta não desistir nunca, confiar sempre, buscar seus sonhos ininterruptamente e desprezar tudo o que significa falta de empenho.

È quase possível notar autores de livros de autoajuda digitar avidamente com a língua de fora, olhos atentos à tela, coração disparado, dedos ágeis, em busca de mercado e de leitores. Em suas páginas, a realidade é toda manipulável, o tempo é todo controlável, as situações são todas assimiláveis. Tudo o que você precisa fazer é não desistir nunca, confiar sempre, buscar seus sonhos ininterruptamente e desprezar tudo o que significa falta de empenho.

Tanto para palestrantes como para autores, você só não chega lá se não quiser, pois querer é poder, a esperança é a última que morre, a persistência é matéria-prima dos sonhos, a motivação é a estrada para vitória. Tomam suas próprias experiências como caminho para o sucesso e incutem na cabeça de seus leitores que elas lhes servirão de base para seus próprios sucessos e, caso não cheguem ao sucesso, o problema será certamente a falta de empenho e de sonhos.

É necessário, entretanto, que se veja o outro lado. As pessoas não são iguais, obviamente; ou seja, a experiência de João pode não servir para Pedro. (Falando-se em termos de física quântica – veja-se Efeito Borboleta – a tomada de atitude gera futuros incertos. Portanto, qualquer atitude que se toma em função de ideias não gera, necessariamente, o mesmo futuro que o vivido pelo autor do livro ou ministrante da palestra.) Por outro lado – e aqui se está foco deste texto – há pessoas inseguras, há pessoas inativas, há pessoas desconfiadas etc. Portanto, não se pode querer que as pessoas ajam segundo critérios de alguém em especial.

Num universo de cem leitores de livros de autoajuda ou de assistentes de palestras, um ou dois chegarão a algum resultado satisfatório. Aos outros, restará a frustração de não conseguir, restará a sensação de inutilidade, de impotência, de incapacidade, restará a imagem da incompetência no espelho.

Há alguns meses, a notícia da chacina em território mexicano, da qual foram vítimas mais de trinta pessoas, inundou a mídia do país porque havia dois jovens brasileiros dentre as vítimas. Em matéria na revista IstoÉ de duas semanas depois, soube-se que os dois jovens, de Governador Valadares – MG, mantinham o sonho tupiniquim de chegar ao território americano havia já muitos anos. Tudo fizeram por seus sonhos, jamais se deixaram levar pelos pensamentos pequenos de amigos que tentavam mostrar a eles a realidade, acordavam com a viagem na cabeça e dormiam com ela em suas órbitas mentais. Ou seja: se empenharam ao máximo.

Márcia Cabrita, atriz

E morreram. Morreram porque alguém se lembrou de lhes dizer que não deveriam desistir nunca, mas se esqueceu de comentar que precisavam manter os pés no chão.

Este texto compõe um movimento iniciado há alguns anos por alguns palestrantes instrucionais (não motivacionais), eu dentre eles, cansados de ver grassar no mercado livros cujos títulos, por si, já enganam: Seja Vencedor; A Vitória É Sua; Como Conquistar um Futuro Melhor etc. etc. etc. que, nas entrelinhas, conspiram para que os cérebros de incautos estejam cada vez mais manipuláveis.

De maneira indireta, a atriz Márcia Cabrita viveu um período no calvário dos dedos apontados para si. Em sua entrevista na revista IstoÉ (http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/105755_AS+PESSOAS+COBRAM+MUITO+DE+QUEM+TEM+CANCER+), ela fala de seu drama com o câncer, mas evidencia que o comportamento bem intencionado de amigos, que muitas vezes beira o desplante inconsciente, acaba surtindo efeito contrário. “Atribuir ao esforço e à motivação interna do doente a capacidade de cura também é uma crueldade”, diz ela.

Ao expor seu ponto de vista, Márcia Cabrita presta um grande apoio às pessoas que compõem o 99,99% do grupo de leitores de autoajuda que não conseguem chegar lá após a leitura. Mais que isso, a atriz mostra que não basta ter boas intenções, como é o caso da maioria dos autores desse tipo de literatura: é preciso ter respeito pelo ser humano que todos buscamos ser.

Alguém poderá dizer: mas eu li tal livro e me fez muito bem. Fica a pergunta: Fez mesmo?

21/10/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

Hipertensão e Outros Significados para a Pequenez de Alguns

O assunto deste texto certamente é, para a maioria das pessoas, relevante no aspecto pelo qual deveria ser fútil e bastante indiferente no aspecto pelo qual deveria ser altamente relevante: programas de televisão.

Estudos sérios mostram que manifestamos nossa personalidade no dia a dia a partir de atitudes geridas pelo inconsciente, bem ao largo da ideia contida na expressão “fiz sem pensar”. A roupa que escolhemos pela manhã, a maneira como dispomos as mãos enquanto conversamos, os olhares que oferecemos diante de determinadas situações, os programas de TV a que assistimos, enfim, ainda somos em realidade um objeto obscuro de pesquisas. Mas já é possível determinar certos parâmetros de comportamentos segundo análise de décadas, de séculos de história de relações do elemento humano e seu mundo exterior.

Quando aceitamos passivamente inclusão de certos conceitos em nossa vida sem apararmos a mínima aresta, estamos em verdade tornando nossa mente extremamente propícia a efeitos produzidos por mentes terceiras. Isso transforma o ser humano em replicador de ilusões. Não há necessariamente que se tornar uma espécie de eremita filosófico e rechaçar toda ideia que não a própria – isso transformaria o ser humano em destruidor de novas ideias -, mas é de grande bom tom que se respeite a si próprio e se busque dentro de si mesmo base sólida para se aceitar ideias novas.

É saudável o hábito de observar incansavelmente antes de criticar, elogiando ou condenando, seja o que for. A primeira noite do primeiro Big Brother Brasil, há dez ou onze anos, deveria servir como parâmetro para o que se veria depois: a hediondez humana levada ao extremo. Nos quarenta minutos iniciais foi possível ver a dignidade humana ser posta a crivo e, infelizmente, perder força. Já nas primeiras cenas, viram-se corpos expostos como mercadoria, carreiras desenhadas em fama a qualquer custo, palavras fúteis fundamentando ideias toscas sobre relacionamento; viram-se olhares vãos em oportunidades perdidas; a condição humana de um grupo de humanos sendo manipulada à bel-necessidade do gosto de milhares de outros humanos, este medido por uma máquina que pretende traduzi-lo em número, o da audiência.

Se se usasse o bom senso, nunca mais se conseguiria ver mais nada referente ao programa.

O primeiro dia do autodivulgado show de ação e aventura que pretendia ser o Hipertensão, da emissora de TV Globo, foi algo parecido com o que Dante gostaria de imaginar para A Divina Comédia, mas sua inspiração não chegara a tanto. Pessoas com sonhos simples, com sentido de vida simples, buscando ferramentas complexas para se autodisporem em evidência. Novamente, corpos desnecessariamente expostos em movimentos em demasia calculados para aparecer na edição seguinte da revista para adultos, masculina ou feminina; fundamentos vitais do elemento humano sendo imbecilizados pela força da lente da câmara da emissora; a questão crucial dos relacionamentos humanos relegada ao calculismo dos que apenas veem a si próprios e ouvem as próprias palavras apenas; vaidade excessiva travestida de autoestima; oportunismo selvagem mostrado como competitividade.

A cabeça humana é surpreendente. A mesma mente que cria crônicas fantásticas, como as de Pedro Bial, saúda a degradação da civilização atual – via BBB – como passo rumo à evolução; a mesma boca – Glenda Kozlowski – que discute o esporte como instrumento de superação acompanha – vibra, mesmo – com cenas em que jovens ávidos por evidência ingerem poção feita de óleo, fígado cru e vermes ou enfiam o rosto num recipiente com baratas para apanhar com a boca um objeto qualquer e assim receberem o título de vencedores. Ou de heróis, segundo os critérios de Bial.

Provavelmente, Voltaire anteviu a inapetência do orgulho positivo da sociedade do séc. XXI ao dizer “Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”. Este texto não faz apologia à censura, não propõe discussão sobre ser ou não viável que o que se vê na TV, se ouve no rádio, se acessa na internet seja antes passado pelo poder de autoridades. Longe disso. Este texto se coadunaria com Voltaire caso ele vivesse hoje e dissesse “não concordo com o que transmites em tua emissora, mas defendo até a morte o direito de o transmitires. Entretanto, dá-me também o direito de rechaçar o que idealizas com isso, se assim eu julgar conveniente”.

De outra forma, somos o que exprimimos no dia a dia. Rejubilar-se com casas reformadas e doadas a famílias nos programas de domingo não anula a mórbida curiosidade pelas desgraças dessa mesma família, antes exploradas ao máximo no mesmo programa; é estranho ver sessões de orações em prol dos desvalidos na mesma emissora na qual se veem incríveis vídeos de alcoólatras tentando subir uma rua íngreme sob gargalhadas de outros humanos; é surreal observar programas de discussão sobre pedofilia no mesmo canal em que se veem meninas sem curvas rebolando diante das câmeras e de júris que as aprovarão ou não em suas tentativas serem ridículas, sob aplauso e sorriso das mães.

“Mas há bons programas nessas emissoras”, dizem críticos cegos. Ora… sim, realmente há. E se são capazes disso, que se enalteçam os pontos bons para que se evitem os ruins. “Mas esses programas dão emprego para muita gente”, dizem os críticos hipócritas. Sim, dão. Traficantes de drogas e políticos corruptos também dão. “Mas os produtores de programas como esses buscam apenas alegrar a vida do brasileiro”, dizem os críticos ingênuos. Sim, a cocaína também pode produzir o mesmo efeito nos usuários: ilusão de alegria e prazer.

Por milênios, a natureza vem construindo a mente humana pacientemente. Tira um neurônio daqui, coloca outro lá, adapta um DNA acolá, reforça defesas ali, melhora um sistema antes inapto. Mas alguns humanos, parece, não dão conta da importância de reconhecer esse esforço. Certamente, perderão o bonde da evolução e serão engolidos por novas ordens conceituais e, no futuro, serão enumerados por cientistas como raças que foram dizimadas por algum fenômeno desconhecido.

07/09/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

Por que mentem as Empresas

Por que mentem as empresas

 “John Wells, professor e Presidente do IMD, uma das mais importantes escolas de negócios do mundo, sediada na Suíça, afirmou durante palestra realizada no Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH), que a maioria absoluta das empresas mente para a sociedade.”
(http://www.rh.com.br/Portal/Geral/Coluna_ABRH_Nacional/6164/maioria-das-empresas-mente-para-a-sociedade.html)

 

A maioria de nossas palestras corporativas – especialmente porque os temas orbitam sempre as questões do ambiente e relacionamento internos e externos, a da imagem corporativa e criação de elos entre os colaboradores e corporação – é iniciada com ”Empresas são feitas de seres humanos” e, a partir de então, desenvolvemos a explanação. Talvez a assertiva não caiba tão bem em outros temas que no central deste texto: mentiras corporativas.

Toda empresa mente porque todas elas são feitas de seres humanos. E, no futuro, quando a tecnologia construir máquinas plenamente inteligentes para trabalhar nas empresas, essas máquinas mentirão porque terão sido feitas por seres humanos. Já temos mostra disso: os computadores programados para atender os 0800 de atendimento ao consumidor mentem – ”no momento, todos os nossos operadores estão ocupados. Aguarde. Teremos prazer em atendê-lo. Sua ligação é muito importante para nós”. Seguramente, os atendentes ou estão vendo programas de TV ou o sistema controlador é pífio e não consegue atender a demanda de chamadas. Ou seja, mentira. 

Algumas situações são compreensíveis porque são relacional e circunstancialmente aceitáveis pelos clientes. O comprador da empresa “A” liga para o departamento de logística da empresa “B” e questiona a entrega de seu pedido. Recebe a informação de que os produtos estão no caminhão ou, no máximo, no departamento de expedição. É tudo o que o comprador precisa para dar satisfações à chefia de seu departamento, ainda que saiba que seja mentira. Mentira aceitável, planejada, constituída no dia a dia corporativo como instrumento de relacionamento de mercado, uma espécie de complô não intencional organizado por funcionários de baixo escalão contra seus superiores.

Há outras lorotas que podem ser consideradas necessárias. Empresas dizem que a promoção de fim de semana foi “esticada por toda a semana devido ao grande sucesso” porque não podem dizer “nossa meta de venda não foi atingida devido a falhas em nossos procedimentos de marketing; por isso, vamos tentar chegar à meta até a próxima sexta-feira”.

O problema da mentira corporativa se torna questão preocupante quando rebusca ferimento de ética – aliás, ética é conceito bastante controverso perante determinadas situações, em especial corporativas, e, portanto, discutível – e resvala diretamente no respeito para com a outra parte da relação, seja consumidor, cliente ou fornecedor ou um simples interessado na empresa. Uma empresa não deveria mentir a um consumidor, mas o faz, quando diz que “a peça de sua máquina, avariada dentro do prazo de validade de uso, estará sendo encaminhada dentro de três dias; fique tranquilo” – e a dignidade do consumidor estará salvaguardada se, na realidade, a empresa estiver à procura da peça no mercado desesperadamente.

Uma empresa não tem direito de incutir na sensibilidade das pessoas a impressão de que estas são números desprezíveis nas estatísticas e, depois, criar campanha publicitária baseando-se em termos como respeito, carinho, responsabilidade social. Algumas empresas têm passos indignificantes no processo de seleção de funcionários (caixas de madeira instaladas no jardim para que candidatos deixem seus currículos; frases do tipo aguarde nosso contato e jamais entrar em contato; dinâmicas que nada têm a ver com os objetivos da função etc.). Posteriormente, não é raro se encontrar os nomes dessas empresas em ranking das melhores corporações para se trabalhar.

 Empresas de Comunicação não poderiam noticiar situações de pedofilia, em tom de indignação, minutos depois de ter posto no ar programas de auditório nos quais se veem meninas de seis, sete, oito anos dançando em movimentos de arremedo de sensualidade diante de uma bancada de júri de adultos para dirão se ela foi uma gracinha ou não. Outras não poderiam manter no saite a informação “Não adianta enviar roteiros pelo site ou pelo correio; eles nem vão ser abertos” e, depois, gastar milhões em autopublicidade para mostrar o quanto a casa respeita seus funcionários”.

Esses são exemplos de mentira que, tão logo ou não tão logo assim seus clientes desenvolvam determinado senso crítico, responderão claramente pela queda do desempenho da empresa no mercado. Mas os efeitos estarão tão entalhados em seus procedimentos que seus analistas internos vão demorar muito para descobrir a existência.

30/08/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

O Beijo Corporativo

Há algumas décadas, o ambiente corporativo deixou de requerer comportamento ortodoxo. A formalidade esmagadora de antes, anunciada já chegada com o barulho do cartão de ponto – para muitos representação sonora das correntes amarradas nos tornozelos dos escravos -, já foi ultrapassada há muito, não sendo mais necessário que funcionários se levantem de suas escrivaninhas para cumprimentar o chefe ou o diretor, pela manhã.

O ambiente físico sem luz adequada parecia ser a própria materialização da impressão de prisão que as corporações exprimiam; como resposta inconsciente dos funcionários, a disposição desordenada das mesas, dos livros, dos documentos nas estantes, tudo parecia traduzir seus sentimentos em relação à empresa. Muito debilmente e muito a fórceps, as empresas conseguiam lucros interessantes e imagem de mercado adequada. Somente grandes corporações, e dirigidas por mentes vanguardistas, se situavam de maneira a se diferenciar.

Hoje, a evolução do relacionamento em geral chegou ao relacionamento corporativo. Comportamentos antes considerados inadmissíveis são reconhecidos como necessários ao ambiente de trabalho, como sorrisos, competitividade, visão de futuro etc. Mas talvez a mente humana não tenha aprendido a conviver com tal evolução.

O dia a dia corporativo é um complexo mundo à parte das expectativas de escalões altos de uma empresa. Por mais que gerentes e supervisores se imaginem senhores da situação, muitas circunstâncias escapam do poder de percepção humana, ainda que tais tenham passado horas e horas em cursos diversos de gestão. O simpático beijo em ambiente de trabalho é um dos elementos daquelas situações.

Ao oferecer o rosto para um beijo de bom dia nas manhãs, os funcionários estão oferecendo mais que simples intimidade: oferecem um universo mútuo de pactos, que pode ou não ser benéfico para a empresa. A mente humana recebe impressões constantemente e com elas vai formando seu mundo interior. A partir deste, desenha seu comportamento que é, por sua vez, expresso no gestual, olhares, considerações situacionais etc.

Num ambiente em que haja dez colaboradores, é possível que a troca de beijinhos matinais seja feita apenas entre alguns, o que obviamente exclui um ou outro. Por outro lado, mesmo entre os que tiveram o privilégio de ser escolhidos para receber o beijo, pode haver um que, de maneira inconsciente, note que João foi beijado um pouco mais intensamente; ou pode imaginar que recebeu um beijo um pouco mais intenso. Ademais, também é possível que, por algum motivo, a amizade de pessoas que se beijem pelas manhãs esteja temporariamente estremecida. O constrangimento é certo.

Quando o beijoqueiro tem cargo relevante, então, o universo de impressões se amplia. A impressão de separativismo pode se instalar tanto em quem não é beijado como em quem, sendo beijado, acha que merecia um beijo mais amigável, mais forte, mais simpático etc. Com o tempo, tais impressões vão originando sensações diversas.

Intimidade, por exemplo. Pode ser que o empenho não esteja sendo alcançado porque, afinal, sou especial porque minha chefa me beija de maneira diferente; ou então, não vou me empenhar… meu chefe nem um beijinho me dá. É claro que o beijo corporativo, por si e apenas, não acarreta catástrofes econômicas nem impede fechamentos de grandes contratos. Mas, em sendo parte de um conjunto, certamente tem função especialmente relevante no rol de motivos para geração de ambiente estressante. Empresas grandes gastam rios de dinheiro em esquemas motivacionais. Entretanto, detalhes do dia a dia, que passam despercebidos, podem ser instrumento de desmotivação. O ortodoxismo é uma das portas para o insucesso; a informalidade é a janela.

19/08/2010 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

Quem avalia o avaliador?

Um dos procedimentos mais complicados de uma corporação é a avaliação que se faz de um colaborador. E, normalmente, os avaliadores não têm a mínima noção dessa complicabilidade porque se baseiam em ferramentas conceituais. Dizer-se simplesmente tal pessoa não serve não é, evidentemente, algo tão simples que se possa fazer a partir de percepção pessoal, mas esse fator interfere muito mais do que se imagina.

Em filosofia, discute-se muito o conceito da casinha amarela ao qual o de avaliação está intimamente ligado, se se aprofundar na análise. A questão de juízo de valor entra como instrumento desse aprofundamento. Quando alguém nos diz “estive ontem em uma bela casinha amarela”, nossos sensores internos imediatamente nos remetem à imagem daquilo que nós próprios imaginamos ser uma casinha amarela. E imaginar é um longo e sinuoso caminho rumo a desconhecidos pessoais.

Hipótese. João e Pedro têm trinta anos e são gêmeos. A maioria das situações na vida dos dois foi vivida por ambos ao mesmo tempo: senso familiar, início de escola, construção do sentido de sociedade, percepção dos sentimentos humanos etc.

Aos dez, ambos visitaram a casa da avó, em cujo bairro havia uma casinha amarela. Diante da casinha, João presenciou sozinho ferrenha briga de cachorros. Ao longo de sua vida, João presenciou muitas brigas de cachorros, mas aquela o marcou pela ferocidade dos semblantes dos animais. No dia seguinte, Pedro, sozinho, passa diante da mesma casinha amarela, na calçada da qual um pardal com sua graciosidade apanha migalhas de alimento no chão e as leva para seu ninho, em árvore próxima, para alimentar seus filhotes. Pedro fica enternecido com a cena.

Imagem copiada do texto "Como Avaliar sua Equipe", de Sandra Godoy

João e Pedro trabalham na mesma empresa. São gerentes gestores de equipe de venda – cada um gerencia a sua – e precisam avaliar novos candidatos a várias vagas abertas. O pessoal do RH promoveu algumas dinâmicas para os candidatos, dentre as quais havia o desenho de uma casinha que deveria ser pintado. O pessoal do RH leva a João e a Pedro o resultado das dinâmicas.

Passaram-se vinte anos desde as circunstâncias vividas por ambos diante da casinha amarela. Mas João, sem mesmo saber porquê, rejeita todos os candidatos que tiveram a falta de sorte de pintar de cor amarela a casinha do desenho; Pedro, por outro lado, selecionou todos os candidatos que tiveram a sorte de pintar de cor amarela a casinha no desenho. Os motivos oferecidos por ambos por suas escolhas tinham fundamento aparentemente científico, mas estavam determinadamente ligados à questão percepcional.

Sem entrar no mérito de ter sido a seleção bem feita ou não ou se os resultados com a nova equipe foram ou não alcançados, é estranho no mundo de hoje – cheio de mecanismos de comunicação que impossibilitam a real comunicação entre seres humanos – se imaginar que ser bem avaliado não depende de competência, mas de sorte ao pintar uma casinha. Talvez fosse plausível há muitos anos, quando os instrumentos de reconhecimento de talentos eram bastante arcaicos: o pistolão.

Alguém permitiu que João e Pedro tivessem a responsabilidade de decidir se alguém é bom ou ruim para a empresa em que trabalha. Alguém, anteriormente, permitiu que esse alguém permitisse. A situação é complexa, reconhecemos. Mas há valores importantes envolvidos. Valores que salário algum seria o bastante para suplantar.

 e-Learning: Como Avaliar Pessoas

Aí se encontra um grande problema. Para que o resultado da avaliação seja o menos imperfeito possível – pois que, neste caso, não existem resultados perfeitos -, é necessário que o avaliado tenha plena ciência do que se espera dele. Ou seja, é preciso que todas as regras sejam postas à mesa. No caso da casinha amarela, os candidatos estavam às cegas, como um jogador de tênis que se depara com grande campo de futebol no momento de fazer o teste e, então, joga tênis, não futebol. Pintar casinhas, desenhar árvores, responder a questões padronizadas me parece representar muito bem a situação dos calouros de TV que se apresentam para um júri inapto, posto que aqueles dependem do nível de necessidade de agradar públicos que cada jurado mantém.

Quando se avalia o desempenho de um colaborador, ainda que o objetivo seja prático e não inferido, é necessário levar em consideração uma infinidade de conceitos, especialmente a ótica momentânea do avaliador. Estatisticamente, o avaliador não se dá ao trabalho de observar os resultados, ou a falta de resultados, pela visão do avaliado. Respeito ao espaço de terceiros pode ser confundido com insegurança; falta de questionamento pode ser confundida com percepção de que o projeto ainda esteja nascendo e, portanto, o avaliador não tem condições de oferecer melhores instruções; não participatividade pode ser confundida com espera ao momento adequado etc. E, a mais intrigante das confusões, hipocrisia e dissimulação podem ser confundidas com interesse pela corporação. E etc.

Uma frase  do mundo do futebol atribuída a Neném Prancha infere que “o pênalti é tão importante que devia ser cobrado pelo presidente do clube”. A partir dela, pode-se inferir que a avaliação de desempenho é tão importante que deveria ser feita pelo presidente da empresa”. 

Enquanto isso, grupelhos dentro de grandes empresas as fazem perder grandes talentos, talvez para se lembrarem depois que, segundo conta a história, no início da carreira, Pelé foi rejeitado por alguns técnicos de grandes times e Einstein, rechaçado por alguns professores de física e matemática.

28/07/2010 Publicado por | Artigos | , , , , , | 3 Comentários

Regata Moderna

Regata Moderna

O texto abaixo foi extraído do livro Deixa que eu Chuto, de Renato M. Prado, publicado pela Edição Extra Produções Ltda. É exemplo esplêndido e bem humorado do que nós, consultores de relacionamento e comportamento corporativos, temos visto ao longo de muitos anos. E, por mais que demonstremos, exemplifiquemos, comuniquemos e relacionemos, parece que o elemento humano ainda está muito longe de descobrir o real sentido do conceito Avaliação de Equipe.

                               ——- 0 ———

É a história de uma série de regatas fictícia entre Brasil e Japão. Além de espirituoso, o texto pode servir também como carapuça para muita gente. Dentro e fora do esporte.

Conta a história que, em 1995, houve uma competição entre as equipes de remo do Brasil e do Japão. Logo no início da regata, a guarnição japonesa começou a se distanciar e completou o percurso rapidamente. O barco brasileiro chegou à meta com uma hora de atraso.

De volta ao Brasil, o Comitê Executivo se reuniu para avaliar as causas do desastroso resultado e constatou:

A) A equipe japonesa era formada por 1 chefe de equipe e 10 remadores

B) A equipe brasileira era formada por 1 remador e 10 chefes de equipe

 A decisão passou, então, para a esfera do Planejamento Estratégico, que deveria realizar uma seriíssima reestruturação da equipe, visando a prova do ano seguinte. Em 1996, dada a largada, os nipônicos dispararam e, desta vez, nossa equipe chegou com duas horas de atraso. Uma nova análise das causas do fracasso mostrou os seguintes resultados:  

A) A equipe japonesa continuava com um chefe de equipe e 10 remadores

B) A equipe brasileira, após as mudanças pelo pessoal de Planejamento Estratégico, era formada por 1 Chefe de Equipe, 2 Assessores de Departamento, 7 Chefes de Departamento, 1 remador.  

A conclusão do Comitê que analisou as causas do novo fracasso foi unânime:

O remador é um incompetente!

Em 1997, nova oportunidade. O Departamento de Tecnologia e Novos Negócios do Brasil pôs em prática um plano para melhorar a produtividade da equipe, com introdução de mudanças baseadas no que havia de mais moderno no mercado e que, sem dúvida, produziria aumentos significativos de eficiência e eficácia. Os pontos principais das mudanças eram o “resizing” e o “turn-around” e, com certeza, dessa vez os brasileiros humilhariam os japoneses. O resultado foi catastrófico e a equipe brasileira chegou à meta três horas depois do barco do Sol Nascente.

As conclusões revelaram dados aterradores:  

A) Mantendo a sua tradição milenar, a equipe japonesa era formada por 1 chefe de equipe e 10 remadores

B) A equipe brasileira, por sua vez, utilizou uma formação vanguardista, integrada por 1 chefe de equipe, 2 auditores de qualidade total, 1 assessor especializado em empowerment, 1 supervisor para assuntos de downsizing, 1 analista de informática, 1 chefe de tecnologia, 1 controler, 1 chefe de departamento, 1 controlador de tempo, 1 remador.

Depois de vários dias de reuniões e análise, o Comitê Executivo decidiu castigar o remador e aboliu “todos os seus benefícios e incentivos, em função do fracasso observado”. Na reunião de encerramento, o mesmo Comitê, fortalecido pela presença dos principais acionistas, anunciou: “Contrataremos um novo remador, mas desta vez com contrato de Prestação de Serviços de Terceiros, sem vínculo trabalhista, para que não tenhamos que lidar com os sindicatos, que degradam a eficiência e a produtividade dos recursos humanos”.

27/07/2010 Publicado por | Humor Corporativo | , , , | Comentários Desligados

O Cão e a Roda

Tive um amigo cujo sonho era ser escritor. Disse “tive” porque o danado desandou a beber e fumar descaradamente assim que conseguiu publicar seu primeiro livro. E último. Por consecutivos e desesperados oito anos, visitou editoras e editoras, apresentou seu trabalho a enilhares de empresários, perdeu noites e noites elaborando estratégias para mostrar sua obra a alguém que se interessasse.

Brigou com a família por ela, que o acusava de vagabundo. Rompeu com amores antigos, com amizades antigas, com princípios antigos por ela. Vivia sob nuvens negras da depressão por não conseguir levar ao mundo suas palavras. E eram boas e belas palavras, a contar por alguns trabalhos seus que li durante nossa amizade, pois também comigo rompera assim que uma crítica um tanto mais forte me escapou boca a fora. Tinha um bom senso literário e uma boa estrutura de construção de frases e idéias, expressava-as com clareza, mesmo as filosoficamente não tão plausíveis assim. Aliás, “filosoficamente plausíveis” foram as palavras de minhas críticas que se transformaram na causa de seu distanciamento de minha pessoa. Lamentei bastante, mas percebi que era um direito seu aceitá-las ou não, como meu dizê-las ou não.

As buscas se iniciam com tanta esperança que parece não haver preparo para as conquistas

Mas me alegrei à profusão quando recebi o convite de lançamento de seu livro, o primeiro de uma série deles, eu tinha certeza. Ou esperança, pois somente assim talvez meu amigo aprendesse que críticas são a argamassa de uma boa obra. E de uma boa personalidade.

Fiquei realmente contente e passei a divulgar entre meus outros amigos que dia tal, à tal hora, se daria o passo inicial em direção de um sonho. Bastou a menção de “inicial” e “sonho” para criar afeição nos meus amigos por esse outro que não conheciam, pois a linha comportamental do rol de conhecidos meus sempre se esticou em direção a uma ideologia profunda em relação a conquistas e vitórias. Todos confirmaram presença no lançamento a fim de dar apoio ao escritor em desabrocho.

No dia seguinte, em minha caminhada matinal e diária rumo a lugar algum, estava numa avenida pouco movimentada quando vi um cão em correria desesperada em busca do pneu de um carro. Por dez, vinte, cinquenta metros, o animal latia e corria, latia e corria. Quando via que não era páreo para a tecnologia, parava e ficava olhando sua presa escapar horizonte adentro. Latia mais alguns minutos e depois voltava para seu ponto inicial, onde esperava que outro carro aparecesse. Em aparecendo e em passando por ele, começava novamente sua correria e suas latidas.

Fiquei observando aquilo e brincando com alguma idéias em minha cabeça. Talvez estivesse querendo entender o sentimento de divertimento do animal. Mas não consegui. Entretanto, parabenizei-o pelo instinto de persistência, mesmo que não o levasse a lugar algum, ao que parecia.

Foi quando outro carro apareceu e o cão reiniciou sua guerrinha particular e eu já retomava minha caminhada para o “não sei onde” que notei algo diferente naquela pasmice. O carro estacionou após dez metros do lugar de onde estava o cão. Parei novamente e vislumbrei o quadro. O animal parecia derreter de tanta decepção. Sua bocarra permaneceu aberta no meio latido a meio gesto, bem diante do pneu parado ali, a sua frente, imóvel, inerte, presa fácil, prêmio dado e não conseguido, vitória ganha e não conquistada. Deitou-se no meio da avenida e pôs a cabeça no meio das patas, olhando fixamente para o pneu, sem entender exatamente o que poderia fazer com ele. Em seu vazio interior, não viu outro carro e morreu esmagado.

Alguma coisa naquilo tudo trouxe a mim a lembrança de Noéis Rosa, de Cazuzas, de Rembrants, de Vinícius, de grandes mestres das diversas artes que compõem a alma humana. Dos que lutam por ideais e sonhos sem se prepararem para a conquista, se algum dia chegarem a conquistar. Usam o tempo na busca desenfreada a um ponto qualquer no futuro e se esquecem de estruturar a alma para quando lá chegarem, se destruindo no instante quase exato de abrirem a porta de acesso à realidade pela qual tanto lutaram. Deixam marcas e exemplos, deixam direção para os que os seguem, deixam caminhos feitos em trilhas de perseverança. Mas somem enquanto corpos, desaparecem enquanto presença e se transformam apenas em moldura para suas obras, esquecidos em meio à tentativa de uns e outros de não esquecê-los jamais.

Dias depois de receber o convite de lançamento do livro do meu amigo, recebi a notícia de sua morte por coma alcoólica. O homem sempre se prepara bastante para lutar por seus sonhos, mas não descobriu uma maneira eficaz de mantê-los reais.

18/07/2010 Publicado por | Crônicas e Contos | , , | Comentários Desligados

A Palavra e a Montanha

(Este texto foi adaptado para o mundo corporativo de versão encontrada com autoria de Malba Tahan. Foi lido e analisado no programa O ENCANTO DOS CONTOS, da Rádio Onda FM – Caieiras/Brasil. Entre música, notícias e participação do ouvinte, o programa traz leitura e análise de contos e crônicas em geral.)

A empresa em que Alberto começara a trabalhar naquela semana era uma dessas em que o ambiente era suficientemente agradável para que todos se sentissem bem em ali estar. Não apenas os colaboradores, mas todos: parceiros, clientes que a visitavam, fornecedores que com ela negociavam etc.

Quase cem funcionários transitavam pelos escritórios com sorrisos e semblantes alegres, demonstrando atenção e consideração uns pelos outros.

A função de Alberto, um inteligente e ambicioso jovem de pouco mais de vinte anos, era contatar possíveis clientes e passar informações fortes para que comprassem seus produtos. Não era exatamente um vendedor, mas agia como primeiro contato. Da janela da sala em que operava, podia ver o belo Pico do Jaraguá, um dos pontos mais altos da região.

Toda vez que o rapaz fixava os olhos na montanha, se lembrava de que não havia obstáculos que o impedissem de chegar ao topo. Queria o topo. Queria ser o melhor. Tinha participado de uma palestra motivacional em que o palestrante dissera que ninguém está no mundo para servir, mas para ser servido.

Depois de uma semana de trabalho, Alberto decidiu que seu lugar era a mesa do chefe da empresa; depois, pensaria na diretoria da empresa. E faria tudo para chegar lá.

Todas as manhãs, o diretor geral, que chegava sempre cedo, entrava na sala e cumprimentava todos com simpatia e amizade. Alberto já tinha ouvido falar sobre a fama de sábio do diretor, mas via que dava atenção a qualquer um que se aproximasse. Portanto, seria uma presa fácil. Contudo, seu alvo, no momento, era o chefe.

Com sua percepção, notou que o chefe era muito benquisto, bastante considerado por todos; e, com sua inteligência, começou a arquitetar planos. Passou a instigar os colegas sobre o comportamento do chefe, como este era incerto, como não tinha poder de decisão, como era inseguro. O que não era verdade. Falou tanto, deixou tantas armadilhas pelo caminho, colocou tantas ideias diárias na cabeça dos colegas que se sentiu poderoso. Parecia a ele que seus planos estavam dando certo, pois seus colegas demonstravam interesse em suas conversas.

Quase dois meses depois, o diretor geral entrou na sala, como sempre fazia, e cumprimentou a todos com simpatia e amizade, como era costume. Passou por Alberto e o convidou a acompanhá-lo. O rapaz inflou o peito enquanto caminhava entre as mesas de seus colegas com o patrão. Conversavam animadamente e Alberto se sentiu dono da situação. Estava tão interessado nas palavras do diretor que não percebeu que tinha sido conduzido ao estacionamento da empresa e estavam diante do carro. O motorista abriu a porta, o velho homem entrou e convidou Alberto para entrar também.

O rapaz se sentiu no céu. Lá dentro, o diretor geral passou a comentar sobre a inteligência do jovem e que já tinha notado que gostava de falar, que gostava de usar os nomes dos colegas em suas conversas.

O jovem percebeu que o carro passara pelo portão de entrada do Parque do Jaraguá e que o motorista tomara o caminho do ponto mais alto do Pico. Achou que o diretor estivesse usando de simbolismos para dizer a ele, a Alberto, que o topo era seu lugar.

O diretor geral falou bastante, sempre mencionando o fato de Alberto influenciar demais as pessoas a sua volta, como um imã. Alberto já se considerava promovido à chefia.

No alto do Pico, já fora do carro, diretor e Alberto sentiam o vento bater em seus rostos. O velho homem apanhou um bloco de notas e caneta no bolso do paletó e entregou ao jovem Alberto, pedindo para que este escrevesse o nome do chefe. Sem entender, o rapaz assim o fez. O diretor, então, pediu suavemente para que ele rasgasse o papel em tantos pedaços quanto conseguisse, guardando-os no bolso da calça até tivesse a folha de papel completamente destruída.

Alberto imaginou que o simbolismo da situação estivesse a seu favor. Sorrindo, rasgou o papel em centenas de pedaços. O velho sábio mandou o jovem apanhar todos os pedaços e jogá-los ao vento, morro abaixo. A corrente de ar fez o trabalho de levar as centenas de pedaços de papel por uma grande região, fazendo com que alguns caíssem sobre copas de árvores, outros indo a centenas de metros de distância, mas todos praticamente desaparecendo.

O diretor, então, mandou que Alberto recolhesse todos os pedaços de papel e remontasse novamente o nome do chefe. “Mas isso é impossível”, disse o jovem.

Então, o diretor simplesmente entrou no carro, solicitando ao jovem que fizesse o mesmo; voltaram para a empresa em silêncio e, lá dentro, disse apenas, “tenha um bom dia, meu jovem“.

O rapaz nunca mais usou da artimanha da fofoca para conseguir seus intentos.

13/01/2010 Publicado por | Crônicas e Contos | , , , | 1 Comentário

Programa de Gestão pra Tudo

De tempos em tempos, todos os tentáculos de atividades da civilização atual são estremecidos por alguma idéia genial. Música, artes plásticas, ciência etc., cada um a seu tempo ou ao mesmo tempo, se deixam carregar por tendências inovadoras que, via de regra, exigem grau de adaptabilidade tal que altera as linhas estruturais do sistema que estivera em funcionamento por anos ou décadas.

Inovações são necessárias porque nada dura o bastante para satisfazer o desejo ou, antes, a necessidade da humanidade por evolução, funcionalidade e bem-estar. O ser humano percebe o exterior e, por ele, é levado a raciocinar; em raciocinando, concebe novas perspectivas. Sempre.

Até algumas décadas atrás, os detratores de idéias novas normalmente se viam julgados como retrógrados, antivanguardistas, antiquados etc. Olhando-se por outro ângulo, no entanto, suas ações faziam com que as tais inovações levassem muito tempo para ser implantadas. De forma indireta, esse processo funcionava como catalisador e instaurador paulatino do novo conceito. Assim, quando posta em prática, a inovação já estava mastigada e assimilada e sua eficácia razoavelmente assegurada.motivacao

A tecnologia alterou o tempo e o espaço. Talvez ainda não em questão da Física, mas com certeza no campo conceitual. Hoje, quase já não é possível raciocinar sobre uma inovação antes que a próxima seja divulgada aos quatro cantos do mundo via internet. Uma boa quantidade de atividades de nossa civilização sequer tem tempo para determinar seu norte porque, muito mais do que se imagina, há muitos nortes sendo apontados por novos comportamentos.

Dentre as atividades de nossa civilização, duas delas sofrem muito mais as consequências do desnorteamento: a moda e a corporatividade.

 No campo corporativo, veem-se sistemas, programas, conceitos e procedimentos milagrosos a todo instante. Há programas de gestão para tudo: de situações, de projetos, de ambiente, de treinamento e outros tantos. Não fosse suficiente, há ainda estudiosos transcendentalistas que, na fiúza de aproveitar a desatenção dos gerentes em função de tantas setas apontadas para o caminho certo, apresentam uma novíssima modalidade de comportamento oriental aplicável à corporatividade que tem feito grande sucesso nos EUA e Europa*.motivacao1

O mercado de assessoria empresarial, lamentavelmente, tem se encaixado muito bem no nicho de editorias de autoajuda. Certas análises sugeridas ou conjunto de alterações ministradas beiram à renomeação simples de situações já vividas exaustivamente. Com tal sagacidade, muitos profissionais douram tanto uma situação e a expõem de maneira tão diversa que esta acaba se parecendo um monstro que vive na empresa há muitos anos, mas jamais fora notado.

Um exemplo desse fenômeno é o conceito de competitividade entre colaboradores. Há alguns anos, todos os gestores eram unânimes ao afirmar que tal prerrogativa apontava a capacidade da corporação de se manter no mercado. Hoje, grande parte lamenta equívocos passados e está reacomodando esse conceito no ambiente corporativo.

Muitos programas de assessoria de endomarketing lembram alguns textos de horóscopos de jornais de quinta categoria: libra, você somente manterá seu status se cuidar de seu humor; escorpião, o amor está a sua frente. Basta que abra os olhos; gêmeos, a felicidade que você procura depende de você. Um senso crítico razoável demonstra que conselhos como esses se adaptam a todos os nascidos em quaisquer signos.

Ainda outros programas se assemelham à abordagem dada por escritores* de autoajuda que perceberam nessa fatia de mercado a inesgotável fonte de participação. A esmagadora maioria dos textos desse mercado editorial não se encaixa absolutamente na vida dos leitores. Em verdade, ocorre o inverso por questões de necessidade psicológica: o leitor é que se adapta ao texto do livro. Mesmo porque, cada ser humano tem seu próprio histórico de vida. Sua personalidade, com idiossincrasias, manias, defeitos, perspectivas etc., é produto direto desse histórico.

Exatamente como não há dois corpos idênticos, também não há duas personalidades iguais. Como empresas são feitas de seres humanos, daí se depreende que não há duas empresas idênticas.

Desta forma, não é de bom tom assegurar eficácia de um programa na empresa “B” baseando-se apenas na eficácia comprovada na empresa “A”. Cada uma das empresas é mundo completamente diferente no universo corporativo.

 Nota do editor: fica expresso aqui o grande respeito do saite por todos os profissionais cuja hombridade é a maior característica

 

 

16/10/2009 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

E-mail Causa Demissão

Ao longo do acúmulo de nossa experiência, fomos nos deparando com situações das mais estranhas relacionadas a e-mails, que chegam à bizarrice em alguns casos. Troca de 10, 15 mensagens sobre o mesmo tema porque as partes não entendiam as ideias emitidas, perda de bons contratos por imagens com conteúdo sem relação com o documento, uso de gírias e termos pessoais em mensagens corporativas, menção a determinado assunto mais ou menos chocante para o destinatário. E muitas outras.

Imagem enviada em mensagem de retorno de férias de fim de ano

Imagem enviada em mensagem de retorno de férias de fim de ano

Uma das primeiras regras que mencionamos em nossas palestras sobre comunicação corporativa ou pessoal se refere à questão do visual da mensagem. Ao tomar um texto pela primeira vez, em segundos os olhos do leitor capturam as imagens formadas pelo texto como um todo, na maioria das vezes de forma inconsciente, e somente depois disso passa a atentar à leitura. O tal orkut está repleto de textos cujas margens “desenham” flores, animais, montanhas etc., não obstante ser intenção real do redator. Mas isso pode ocorrer à revelia de quem escreve. É possível se perceber muitas formas, desde estranhas a muito belas, dependendo do estado de humor do leitor.

Porém, há uma característica importante a ser observada. Às vezes, na tentativa de se fazer entender melhor ou simplesmente destacar um trecho ou ainda para tornar evidente que conhece o poder do editor de texto, o redator abusa de certos instrumentos. É assim que se veem textos com colorido exagerado, fontes enormes, excesso de palavras em itálico ou negrito etc. Mas, o mais perigoso dos instrumentos é chamada caixa alta, as letras maiúsculas.

“Não nos responda após as 17h” – imagem inserida em e-mail de envio de proposta a um cliente

“Não nos responda após as 17h” – imagem inserida em e-mail de envio de proposta a um cliente

Observe o trecho de uma correspondência de cobrança emitida por um cliente nosso: Precisamos URGENTEMENTE DE UMA POSIÇÃO sobre pagamento. O consultor da SCCorp alterou o trecho e retirou caixa alta, mas o responsável pelo departamento achou isso irrelevante. Logo após o recebimento do e-mail, o departamento financeiro do devedor entrou em contato, comunicando que saldaria o débito no dia seguinte, mas não poderia arcar com os juros e correções de 15 dias de atraso. Caso contrário, que enviassem para cartório.

Inadvertidamente, o redator de nosso cliente deixou transparecer que a empresa estava em dificuldades financeiras (e realmente estava), como se dissesse estamos precisando urgentemente desse valor. O débito foi saldado sem os juros e respectiva correção.

Um caso específico relacionado a e-mail mal redigido veio à tona há duas semanas nos noticiários comuns e especializados. A neozelandesa Vicki Walker era funcionária de uma empresa de saúde, a ProCare Health. Ao enviar e-mails para os colegas, solicitando que preenchessem certo formulário, destacou algumas palavras em cores diversas, negrito e caixa alta. A mensagem não continha qualquer palavra ofensiva, mas também qualquer outra mais cordial. Isso, aliado ao visual intrínseco do texto (como se fosse um objeto único), produziu nos destinatários a falsa impressão de que a emissora estava gritando, agitada, descontrolada, usando de tom rude. Em entrevista ao jornal The New Zealand Herald, Walder vê o fato como imbecilidade.

Contudo, há fundamento na preocupação da empresa, pois a mensagem causou mal-estar no ambiente, perturbando-o a ponto de diminuir consideravelmente a produtividade.

Temos alertado nossos clientes sobre detalhes em suas mensagens. Caixa alta, negrito, itálico, emotion (carinhas coloridas em animação), imagens etc. podem não disparar a impressão desejada e causar embaraços diversos. Aquele cliente que parece inacessível, que nunca dá resposta, pode estar sendo abordado justamente por impressões estranhas.

06/09/2009 Publicado por | Artigos | | Comentários Desligados

Quem realmente são os Feios

O texto abaixo pode parecer apresentar tema diverso dos encontrados em nosso site. Ledo equívoco. Tudo que referencia relacionamento humano e comunicação de ideias faz parte de nossas discussões. E o texto abaixo referencia uma das mais desprezíveis facetas da comunicação humana: o uso da (des)inteligência para transmitir ideias falsas de superioridade.

 Um de nossos consultores recebeu, há alguns dias, uma mensagem de um amigo em seu endereço particular. No campo Assunto, consta a pergunta Você acordou se sentindo feio hoje? que o fez imaginar se referir a algumas palavras de incentivo que tanto pululam neste mundo virtual de frios fios que vão e vêm. Entretanto, o que há na mensagem é uma série de fotografias de seres humanos cujo visual não condiz com o chamado padrão normal de beleza. Alguns, inclusive, com evidente mostra de problemas genéticos.Estetica

Em reunião habitual para discussão aleatória na SCCorp, nosso consultor expôs o ocorrido e todos passamos a divagar sobre o assunto. Um silêncio não contumaz em nossas reuniões ganhou o espaço da sala quanto vimos as imagens. Eram realmente chocantes. E cruéis.

Não fomos hipócritas a ponto de mencionar pena, ninguém comentou ter sentido um dó pelos seres humanos vistos nas fotografias – ainda porque são desconhecidos –, pois a fealdade de rostos e corpos é comum em todos os povos. O que realmente nos chocou foi o uso de imagens como aquelas para menosprezo e humilhação da raça humana.

Sem pôr em pauta a questão da plástica estética em si tão reverenciada hoje em dia nesta civilização de culto à beleza ou a questão religiosa do somos todos iguais tão mal compreendida nesta civilização de antipensadores, convém analisar o fato de um ser humano ter se disposto a elencar imagens de outros seres humanos com o intuito de torná-las objeto de piada, asco, zombaria, algazarra. É de se perguntar em que parte da personalidade humana está a necessidade da segregação, a ânsia por formar grupos, a capacidade de se sentir bem ao tomar para si o direito de espezinhar um igual – igual, obviamente, não no sentido da aparência, mas da hombridade. Por trás do envio de imagens como aquelas, está a incapacidade do homem de ver o próprio interior e usá-lo como instrumento de estudo, de reconhecer sua pequenez e torná-la limite a ser ultrapassado.

Estetica-AÉ ultrajante saber que a natureza precisou de milênios para construir mecanismos cerebrais tão complexos dentro de nossas cabeças e que, a contar por comportamento como esse, falhou no projeto de alguns deles, pois estes parecem ainda precisar de outro tanto de tempo para se tornar algo admirável.

O histórico Circo dos Horrores não encerrou suas atividades. Ainda necessitamos dos considerados inferiores para que nos sintamos lisonjeados. Ainda precisamos de pobres e miseráveis para que nos sintamos filantropos especiais. Ainda enviamos escravos às arenas dos leões. Ainda admiramos concursos de beleza. Ainda enaltecemos a inteligência de homens públicos corruptos que conseguem se esquivar das cobranças públicas.

Cabeças como aquela que enviou a mensagem, e cabeças como as que certamente estão rindo ao vê-las, fazem que produtores de programas medíocres que usam o elemento humano como foco de piadas se considerem artistas e permaneçam produzindo cada vez mais mediocridade.

31/08/2009 Publicado por | Artigos | Comentários Desligados

Musicoterapia Empresarial

(por Mari Dani – extraído do site www.oapce.com.br)

A musicoterapia empresarial é uma prática pioneira, inovadora e aponta nova tendência nas organizações, que integra de forma geral empresa e música. Promove principalmente comunicação e saúde integral. “É a aplicação da música para produzir uma condição de bem-estar no indivíduo”.

A musicoterapia enfatiza a escuta nas organizações, a cultura musical, a arte e a saúde no trabalho. Tem foco tanto na escuta externa do ambiente de trabalho quanto na escuta interna, visando favorecer a comunicação intra e interpessoal, a promoção da saúde integral como potencial máximo de produtividade. A comunicação envolve as relações consigo e com o outro e se dá também através de elementos não verbais, que implicam nas informações trazidas pelo corpo, pelos gestos, pela voz, pelos sentidos, pela cultura etc., e na comunicação verbal, que é a linguagem falada. Musicoterapia-ATecnicamente, estimular a escuta, os movimentos e os sentidos favorece a comunicação verbal e a não verbal que, por sua vez, leva excelência aos atendimentos aos clientes, desenvolvimento nas vendas, habilidades gerenciais, liderança e qualidade.

A atuação do musicoterapeuta no ambiente de trabalho se dá através da musicoterapia ativa ou receptiva. A musicoterapia receptiva (escuta musical e sonora) é utilizada com diversas estratégias, tais como: música ambiente, previamente selecionada e comandos sonoros e musicais, visando direcionar a escuta para aspectos relevantes da música (timbre, intensidades, ritmo, alturas melódicas, etc), para estimular aspectos cognitivos como concentração, atenção e memória, além de promover o relaxamento e a redução das tensões. E ainda o musicoterapeuta atua diretamente em grupos utilizando o silêncio, a percepção de sonoridades, musicalidades e a expressão vocal-sonora-musical e corporal, ampliando as funções do ouvir e do escutar no trabalho, fazendo paralelos dessas experiências com situações no trabalho.Musicoterapia-B

A musicoterapia ativa representa o fazer musical que proporciona um alívio das tensões conscientes e inconscientes através da eliminação dos conteúdos internos, experimentando possibilidades de se relacionar consigo mesmo, com o trabalho e com o outro. A música promove a liberação de substâncias químicas que trazem sensações de prazer, aumentando assim a imunidade, a saúde física e a sensação de prazer, além de trazer espontaneidade, integração, desinibição e um melhor relacionamento com cliente, melhorando a produtividade e a motivação em equipes, assim como nos treinamentos de liderança, pois relaciona os instrumentos líderes nas dinâmicas musicoterápicas.

A musicoterapia empresarial está relacionada com três principais fatores: ciência, arte e relação. Enquanto ciência, visa intervenções objetivas e resultados práticos, como a música ambiente e a performance realizada com os devidos critérios do musicoterapeuta, que incluem reconhecimento da empresa, avaliação e auto-avaliação, consultas, diagnóstico, intervenções, monitoramentos e treinamentos. Busca resultados que favoreçam a autorreflexão e a liderança participativa, o aumento do rendimento, a redução do stress e do absenteísmo; visa incentivar a autoestima e integração e, conseqüentemente, desenvolve novas habilidades e estratégias no trabalho.

A musicoterapia como arte no trabalho promove um senso estético e sensível, traz bem-estar e criatividade para lidar com situações do cotidiano com mais eficiência e habilidade. Utiliza elementos da música como timbres, ritmo interno e externo, melodias e alturas, harmonia, instrumentos musicais, voz e movimentos corporais. Traz elementos de percepção auditiva e musical como base para os treinamentos e para melhor administração do tempo.Musicoterapia-C

A musicoterapia empresarial com ênfase nas relações traz elementos integradores da música, como a cultura musical, a comunicação verbal e não-verbal. Já que a música é uma linguagem universal, tem as bases integradoras entre colaboradores, fornecedores e clientes, maximizando resultados e o desenvolvimento humano.

A prática da musicoterapia empresarial tem como finalidade um melhor rendimento e a produtividade, o bem-estar e a saúde integral, além do desenvolvimento humano, trazendo uma iniciativa de humanização e responsabilidade social no trabalho.

 ”A musicoterapia na empresa é uma contribuição que pretende afinar instrumentos-pessoas numa grande orquestra para a Sinfonia da Vida”.

Mirian Steinberg é Musicoterapeuta graduada na Faculdade Marcelo Tupinambá, palestrante na Área de Recursos Humanos, docente da Faculdade Paulista de Artes nas disciplinas de Expressão Corporal Sonora Musical na formação do musicoterapeuta e na disciplina de Percepção Musical para atores no Curso de Artes Cênicas. Atua na área Empresarial, Acadêmica e Clínica e tem mais de 16 anos de experiência em terapias corporais

21/08/2009 Publicado por | Ferramentas | Comentários Desligados

Albert Eistein e as Crises

Em muitas empresas de pequeno e médio portes, o departamento de Comunicação Corporativa é encarado como expressão de megalomania ou pedantismo do proprietário. Na busca por estrutura de procedimentos internos prática e ao mesmo tempo simples, o empresário prefere centralizar o comando e o poder de decisão em suas próprias mãos a abrir vias de comando ou sub-comando alternativas.

Esse comportamento é plenamente compreensível na medida da preocupação de se manter um negócio que, via de regra, foi Leia mais »

07/08/2009 Publicado por | Artigos, Ferramentas | 1 Comentário

Detalhes de um Texto

Escrever bem não é obrigação somente de profissionais envolvidos com jornalismo ou com atividades que envolvem conhecimento em geral do idioma.

É sabido que a língua portuguesa mantém detalhes que escapam à maioria das pessoas porque há necessidade de exercício constante da escrita e fala. Pode-se não se preocupar com regras, coesão, expressividade, fluência etc. quando se redige cartas para amigos, recados para colegas, quando a redação estiver restrita a pequeno grupo de conhecidos, enfim. Contudo, mesmo que não se atue nas atividades acima, ao se tornar público um texto, por menor que seja este texto, tem-se obrigação de fazê-lo bem não somente para que a imagem do redator se fortaleça, mas porque o redator estará acenando para desconhecidos  com o conhecimento intrínseco na redação.

Ainda que seja redação de um texto de placa posta no muro de casa.

O trecho abaixo, extraído de um excelente site sobre Língua Portuguesa, demonstra a existência daqueles detalhes.

 ———————————————

Por Thaís Nicoleti

(a autora é colunista no site http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u1008.jhtm)

Há um medo generalizado na mídia em divulgar fatos que são evidentes com a intenção de conter um suposto pânico.

O período acima traz um tipo de construção que se vem tornando frequente. Aparentemente para reproduzir a ordem dos termos mais comum na linguagem oral, a redação tropeça na regência.

Não há dúvida de que alguém tem medo de alguma coisa ou medo de fazer alguma coisa (mesmo quando o complemento é um verbo, a preposição é o “de”). Assim, por que motivo se constroem frases como a que encabeça o texto (medo em divulgar)?

É possível que o motivo disso seja a distância entre o termo regente (“medo”) e o regido (“divulgar”), cuja sequência está interrompida por outros termos. Reajustando a ordem dos termos, de modo que esses dois termos se aproximem (mesmo que o substantivo regente seja adjetivado – medo generalizado), a correta regência surge naturalmente e a frase ganha em fluência. A sequência “fatos que são evidentes” pode ser resumida como “fatos evidentes”.

 Veja, abaixo, o resultado de uma simples inversão da ordem dos termos e do ajuste da regência nominal:

Há na mídia um medo generalizado de divulgar fatos evidentes com a intenção de conter um suposto pânico.

05/08/2009 Publicado por | Na Prática | Comentários Desligados

Frases Práticas

A SCCorp trabalha com comportamento corporativo. Apesar disso, ou talvez por isso, se utiliza de conceitos próprios nem sempre compreensíveis num primeiro momento. Foi e é assim com as ideias deEmpresa Humanizada, Estratégia de Inteligência Interna, Colaborador Abrangente etc.

Um conceito que tem cutucado a consciência dos consultores da SCCorp durante reuniões de Explosões Mentais (em breve, publicaremos matéria especial sobre tais reuniões) trava discussão em torno de frases motivacionais. Não acreditamos no absolutismo aplicativo das ideias que orbitam uma frases motivacional. Via de regra, parecem funcionar segundo a mecânica dos horóscopos de revistinhas para adolescentes: qualquer ideia que emanem se adapta a qualquer pessoa (Escorpião: está em fase de descoberta da força interior; Libra: é com o respeito que tem pelas pessoas que vai conseguir ser feliz etc.)

Pensemos nisso posteriormente. Por agora, leiamos e raciocinemos sobre frases que realmente valem a pena ser lidas, tal como “toda empresa precisa ter gente que erra, não tem medo de errar e aprende com o erro”.

Serg Smigg

  • Trabalhe sempre de forma que, no futuro, seja reconhecido por todos que, no passado, o rechaçaram
  • Observe com que frequência você precisa de motivação externa. Talvez o problema seja interno
  • Crer em adivinhações é querer louros sem o esforço do estudo
  • O hoje não é exatamente o primeiro dia de seu futuro, mas o último dia do seu passado porque é nele está toda sua experiência. Portanto, hoje é o encontro do que você foi com o que você será

Claus Muller

  • Quando é necessário mudar? Antes que seja necessário

Peter Drucker

  • A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo
  • Os resultados são obtidos pelo aproveitamento das oportunidades e não pela solução de problemas. Os recursos precisam ser destinados às oportunidades e não aos problemas
  • O futuro das organizações  e nações  dependerá cada vez mais de sua capacidade de aprender coletivamente
  • Existem dois tipos de riscos: aqueles que não podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que não podemos nos dar ao luxo de não correr
  • Para ter um negócio de sucesso, alguém, algum dia, teve que tomar uma atitude de coragem
  • Nenhuma empresa é melhor do que seu administrador permite
  • Sessenta por cento de todos os problemas administrativos resultam de ineficácia na comunicação
  • O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda oportunidade

Laurence Peter

  • Meu Deus, se errarmos, faz-nos querer mudar; se tivermos razão, dá-nos força para vivermos com isso

Reverendo Peter Marshall

  • Um bom chefe faz com que homens comuns façam coisas incomuns

Eisenhower

  • O mundo pertence aos otimistas. Os pessimistas são meros espectadores

Carlos Lacerda

  • O futuro não é o que se teme, é o que se ousa

Malesherbes

  • Os homens fariam maiores coisas se não julgassem tantas coisas impossíveis

Jean Cocteau

  • Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez

C. F. Kettering

  • Eu me interesso pelo futuro porque é lá que passarei o resto da minha vida

Frank Petro

  • O que é realmente necessário em uma empresa que presta serviços são pessoas que gostem de pessoas

Bill Gates

  • Toda empresa precisa ter gente que erra, não tem medo de errar e aprende com o erro

Henry Ford

  • O fracasso é a oportunidade de começar de novo de maneira inteligente

Pubilius Syrus (século I a.C.)

  • A prosperidade faz amigos. A adversidade os testa

Rabbi Nahman de Bratslav

  • Se você não for melhor que hoje no dia de amanhã, então para que você precisa do amanhã?

Mason Cooley

  • A fé move montanhas, mas não se esqueça de ficar empurrando enquanto você reza

Fernando Pessoa

______________________________________________________

02/08/2009 Publicado por | Na Prática | , , , , , | Comentários Desligados

Situações Reversíveis

Mari Dany

Há situações na rotina corporativa que, sendo vistas por um ângulo apenas,  podem ser encaradas como hilárias, surpreendentes e, por outro lado, desestimulantes. Contudo, quando analisadas sob a ótica da máxima expressão da naturalidade e da necessidade de exposição da personalidade que todo ser humano tem, e por extensão todos os colaboradores organizacionais, tais situações ganham ares de aprendizagem para muitos e ensinamentos para todos.

Leia mais »

29/07/2009 Publicado por | Artigos | , , , , , , , , , | Comentários Desligados

A Industrialização da Mentira

O jeito brasileiro de ser tem sido pintado em cores românticas, de Portinari a Tarsila do Amaral; em versos fortes de sobrecenho grave, de Drumond a Martinho da Vila; em projetos nobres de linhas cadenciadas e belas, a partir de Niemeyer. Esse esforço do brasil-indivíduo de constituir uma fotografia viva do Brasil-povo é inerente a qualquer ser humano que mantenha acesa em si a chama da paixão, patriotismo ou orgulho por qualquer país do mundo. Salvaguardada a noção de se ter conseguido ou não rascunhar nossa alma, de esse esforço ter-se imprimido ou não na paixão pelo País, é notório que pouco se conseguiufazer pela fundamentação da cultura nossa original.

Leia mais »

28/07/2009 Publicado por | Artigos | , , , , , | Comentários Desligados

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.